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Page history last edited by juliano 14 years, 10 months ago

Sites de redes sociais (de sociabilização)... revisitando a história até agora: uma resposta a danah boyd e Nicole Ellison - David Beer (original)

 

Num número recente desse periódico, danah boyd e Nicole Ellison (2007) editaram uma seção especial dedicada ao que elas chamam de “sites de redes sociais” (SNS). Como sabemos, esses tipos de aplicações web já foram inseridos na cultura mainstream (ver Keen, 2007a), ainda que até agora eles tenham recebido pouca atenção analítica. Apesar disso, é importante notar que existe um crescente interesse acadêmico nesse fenômeno, exemplificado pelas linhas de discussão que se estabelecem em listas de e-mail como aquela mantida pela Association of Internet Researchers. Essa seção especial representa o início de algo que certamente será um engajamento ativo e variado com esses desenvolvimentos nascentes nas culturas online. Os colegas sem sombra de dúvida estarão atentos para um alvoroço de atividade acadêmica que já iniciou com o alerta de um incremento desses populares fenômenos online. É por essa razão que nós estamos em um momento crucial para o desenvolvimento desse campo de estudo, é nesse momento que os parâmetros e o escopo do debate serão delimitados e quando nós começaremos a definir agendas que poderão se tornar estabelecimentos e formas com que estudaremos e compreenderemos as SNS. Este artigo se propõe a ser provocativo e, espera-se, abrirá alguns desses debates e questões relacionadas à direção a que o estudo das SNS parece estar nos dirigindo. Para fazer isso, foquei essa resposta nas especificações do ensaio de boyd e Ellison, “Social Network Sites: Definition, History and Scholarship”. É provável que esse texto se torne um artigo altamente referenciado que poderá modelar esses debates que estão surgindo, e por essa razão o artigo delas exige alguma atenção antes que a poeira assente no caminho à sua frente.

 

É importante notar desde o início que boyd e Ellison, que rapidamente se tornaram nomes de referência nessa área de estudo, merecem crédito por elaborarem esse número especial e por firmarem as bases para a continuação do trabalho nessa área. Elas estão de fato operando no ponto exato do que está acontecendo, com o site de boyd www.danah.org formando uma central de informações para muitos pesquisadores e estudantes. Realmente, o artigo que elas co-escreveram para abrir essa seção especial, ao qual este artigo é uma resposta, faz um bom trabalho ao clarificar os limites de estudo e ao prover uma visão ampla da história até agora. Ao fazer isso, elas reúnem linhas de trabalho desconectas e perdidas. Além disso, talvez se deva dar mais crédito à tentativa delas de construir uma história das SNS, pois a linha de tempo resultante é altamente usável e evidencia como essas redes estão se movendo rumo à nossa vida cotidiana (e eventualmente saindo dela novamente, como no caso do Friendster). Igual reconhecimento deve ser dado ao esforço delas em definir alguns dos caminhos que podemos seguir com nossas análises das SNS – ainda que, como mostrarei depois, eu não concorde inteiramente com as direções que elas sugerem ou com as premissas nas quais essas informações se baseiam.

 

Assim, este artigo é escrito como uma resposta ao artigo definidor dos sites de redes sociais de boyd e Ellison, e, como aquele, representa uma tentativa de instigar ainda mais a troca de idéias no estudo das SNS ao revisitar e interagir com a visão que boyd e Ellison construíram. Não pretendo reescrever a história que elas desenvolveram no artigo, em vez disso meu foco aqui é a definição que elas defendem, a teoria que parece corroborar o artigo, e, informado por essa teoria, reconsiderar o caminho que as autoras sugerem que tomemos.

 

Definição revisitada

 

Não é surpreendente que um dos fatos chave ao encarar um trabalho sobre o que está rapidamente mudando as culturas online contemporâneas se refere às definições que usamos para entender o que está acontecendo e para classificar diferentes tipos de aplicações web. A dificuldade está em dar alguma clareza à terminologia em que as coisas a que nos referimos são móveis, e onde a terminologia é usada tão amplamente para descrever tantas coisas e para servir a tantas agendas. De maneira que inevitavelmente vemos um leque de termos usados para descrever o que está acontecendo na cultura online conforme jornalistas, blogueiros, comentaristas da mídia e acadêmicos tentam achar explicações para essas mudanças. A sugestão de boyd e Ellison é que a expressão “sites de redes sociais” é crucial para capturar essas alterações. Como a seguinte passagem mostra:

 

“Nós definimos sites de redes sociais como serviços da web que permitem aos indivíduos (1) construir um perfil público ou semipúblico dentro de um sistema fechado, (2) articular uma lista de outros usuários com quem eles compartilham uma conexão, e (3) ver e pesquisar sua lista de conexões e aquelas feitas por outras pessoas dentro do sistema. A natureza e nomenclatura dessas conexões varia de site para site”

(boyd e Ellison, 2007:2)

 

Numa tentativa de esclarecer mais essa definição, boyd e Ellison cuidadosamente separam “sites de redes de sociabilização”, freqüentemente o termo vernáculo preferencial, de “sites de redes sociais”. Elas oferecem a seguinte explicação para essa distinção:

 

“Enquanto usamos o termo ‘sites de redes sociais’ para descrever este fenômeno, o termo ‘sites de redes de sociabilização’ também aparece no discurso público, e os dois termos freqüentemente são usados concomitantemente. Nós escolhemos não empregar o termo ‘sociabilização’ por duas razões: ênfase e escopo. ‘Sociabilização’ enfatiza o início de um relacionamento, geralmente entre estranhos. Enquanto sociabilizar é possível nesses sites, não é a prática principal em muitos deles, nem é o que os diferencia de outras formas de interação mediada por computador (CMC)

(boyd e Ellison, 2007:2)

 

Nós começamos a ver aqui as autoras desenvolvendo uma visão desses sites não como espaços onde usuários estão unicamente preocupados com a formação de redes ao seu redor, mas onde eles se envolvem principalmente em outras atividades, de forma que, para boyd e Ellison, o termo sociabilização não se aplica a esse caso. Para elas, “sociabilização” só pode se referir a um grupo particular desses sites e não a todo o conjunto de sites a que as autoras gostariam a que o termo se referisse, então ao usar “sociais” em seu lugar as autoras sentem que elas podem abrir o escopo da discussão e o tipo de sites a que essa discussão deveria se referir.

 

Meu argumento aqui seria o de que, dadas essas rápidas mudanças culturais e a natureza dinâmica e fragmentada da cultura online contemporânea, existe uma necessidade de classificar para trabalhar em uma análise mais descritiva. Como podemos ver na definição acima, o termo “sites de redes sociais” como utilizam boyd e Ellison pode abrigar um universo bastante amplo. Ao mesmo tempo, o termo “sites de redes sociais” descreve algo particular, um grupo de aplicações em que, até certo ponto, a sociabilização é a preocupação principal. Resumindo, a motivação para formar redes em expansão, a prática de “sociabilização” como descreveram boyd e Ellison, que define sites de redes de sociabilização, deveria ser a base para separar os diferentes tipos de site (em conjunto com outras diferenças estabelecidas). Parece vergonhoso Ter que ajustar nossas classificações de forma que elas não dêem mais conta dessas nuanças.

 

Sites de redes de sociabilização, em sentido estrito, podem ser diferenciados de outros aplicações web próximos porém diferentes como o Youtube, em que, usando o próprio argumento de boyd e Ellison, fazer e acumular conexões de amizade não é o único foco da atividade. O Youtube pode ser categorizado como uma folksonomia , por exemplo. A dificuldade que o uso do termo “sites de redes sociais” proposto por boyd e Ellison cria é que ele se torna muito amplo, serve para muitas coisas, pretende fazer muito do trabalho analítico, e conseqüentemente torna mais complicada uma tipologia diferenciada desses vários aplicações web gerados pelo usuário. Dessa forma, onde deveríamos agrupar uma série de diferentes aplicações como wikis, folksonomias, mashups e sites de redes de sociabilização – talvez sob um conceito guarda-chuva ainda mais amplo como Web 2.0 (ver Beer e Burrows, 2007; O’Reilly, 2005) – estamos, em vez disso, pensando em um vasto conjunto de aplicações freqüentemente muito diferentes simplesmente como sites de redes sociais. Contudo, está claro que há uma grande utilidade em estender a definição entre diferentes categorias relatando como esses vários tipos de sites são organizados e a informação que eles contêm - aspectos comuns como tagging, perfis e busca por amigos ilustram a complexidade das similaridades e diferenças entre esses tipos de sites. Meu argumento aqui é simplesmente que deveríamos estar nos movendo rumo a classificações mais diferenciadas das novas culturas online, não longe delas. Boyd e Ellison apontam que esses emergentes sites gerados pelo usuário têm um conjunto de atributos compartilhados e algumas diferenças importantes. Concordo que um número desses sites não são focados em sociabilização mas são redes sociais, mas isso deveria ser base para distinções, não para abrir um termo relativamente estável para incluir essas diferenças. Dito isso, é possível que sites de redes sociais se torne o novo conceito guarda-chuva, no lugar de “conteúdo gerado pelo usuário” ou Web 2.0 ou “minha mídia” ou algo do tipo, e que nós possamos estar aptos a encontrar uma tipologia que dê conta disso. Meu problema em deixar as coisas como estão no artigo de boyd e Ellison é que não estou certo de que mudanças a definição delas de sites de redes sociais realmente alcança em termos de valor analítico. Como li o artigo, essa definição poderia realmente tornar o terreno mais difícil de lidar conforma o número de sites que se encaixam nessa ampla categoria continua a crescer – enquanto abrimos os parâmetros de sua definição e o número de sites no mercado continua a se expandir.1

 

Faz sentido tentar propor um termo que capture um senso amplo do que está acontecendo nas culturas online, isso é muito necessário, mas me parece que mudar os sites de redes sociais para fazer isso pode, na verdade, criar problemas. Minha questão aqui é então por que não ficamos com o termo vernáculo, sites de redes sociabilização, que diferencia e descreve melhor o processo, em vez de nos orientar em direção a esta redefinição sugerida pelo artigo de boyd e Ellison? E, crucialmente, além disso, por que não colocar as SNS (seja social ou de socialização) em uma tipologia mais ampla e cheia de nuanças das culturas online e dos aplicações web? Isso tem sido feito em outros lugares usando o reconhecidamente problemático e dúbio Web 2.0 como um termo guarda-chuva ou um conceito suscetível usado para descrever algumas mudanças no conteúdo gerado pelo usuário e no uso de webtops no lugar de um aparelho único (Beer & Burroughs, 2007). Usar um termo guarda-chuva como Web 2.0 permite que uma série de categorias sejam incluídas. Resumindo, minha sugestão é que em vez de uma visão extremamente geral desses sites como sites de redes sociais, por que não usar um termo como Web 2.0 para descrever mudanças gerais e então definir categorias, tais como wikis, folksonomias, mashups e sites de redes de sociabilização dentro desse termo.

 

Teoria revisitada

 

Como segunda parte acredito que também é importante considerar a forma com que boyd e Ellison separam a vida online e offline – uma premissa organizacional que parece corroborar a forma com que elas trabalham os SNS, como elas organizaram sua obra, e que linha elas dizem que devemos seguir em pesquisas futuras. Aqui a vida cotidiana é definida como uma mistura entre essas duas coisas, com os usuários tendo “amigos” online e “Amigos” online (boyd e Ellison, 2007: 14, nota 1), por exemplo. A controvérsia aqui é que “‘Amigos’ nos SNS não são o mesmo que ‘amigos’ no sentido cotidiano” (boyd citada por boyd & Ellison, 2007:10). O problema é que, crescentemente, no contexto de deslocamento dos SNS para dentro da cultura mainstream, o “sentido cotidiano” de amigo pode freqüentemente ser o Amigo SNS. De forma que o que estamos perdendo aqui é o senso da natureza recursiva desses processos à medida que os SNS se tornam comuns e a versão de amizade que eles oferecem começa a corrigir e modelar a compreensão da amizade de maneira geral 22. Então não podemos pensar na amizade nos SNS como inteiramente diferente e desconectada de nossos amigos verdadeiros e das noções de amizade, particularmente conforme jovens crescem e são informados pelas conexões que fazem nos SNS. Em que, como coloca Lash, “formas de vida se tornam tecnológicas”, como vemos claramente ilustrado pelos SNS, “construímos sentido do mundo através dos sistemas tecnológicos” (Lash, 2002: 15). Podemos imaginar isto como um processo recursivo em que os SNS vêm para desafiar e possivelmente alterar os entendimentos sobre a amizade. É concebível então que compreensões e valores da amizade possam ser alterados pelo envolvimento com os SNS. Conforme o tempo passa e os jovens passam mais tempo em contato com tais tecnologias em suas vidas, estes tipos de questões recursivas necessitarão encontrar um espaço na agenda de pesquisa – para deixar claro, eu não estou sugerindo o anúncio da morte da amizade ou qualquer visão semelhante, em vez disso talvez precisemos nos engajar em estudos sociológicos da amizade (Pahl, 2000) para entender como a amizade muda conforme interage com essas tecnologias.

 

Além disso, como as autoras afirmam em outras partes do artigo em referência a outro artigo de boyd, amigos usam os SNS quando não podem se encontrar em “situações não-mediadas” (boyd citada por boyd e Ellison, 2007:11). Um dos problemas crescentes aqui é que freqüentemente pensamos que amigos e Amigos, como as autoras inadvertidamente apontam, podem freqüentemente ser as mesmas pessoas. Se esse é o caso, então como pode ser proveitoso que se separem as relações online e offline r espaços online e offline na tentativa de entender os SNS?

 

Como Pahl aponta, e isso continua inalterado, o “desafio para os sociologistas está em ser mais específico sobre o que eles querem dizer quando se referem a ‘amigos’, relações semelhantes à amizade e amizade” (Pahl, 2002: 421). O ponto é que, se “a amizade precisa ser vista no contexto” (Pahl, 2002: 422), então é essencial que comecemos a entender o papel da amizade ao forjar as conexões nos SNS e, aliado a isso, comecemos a estimar as implicações que os SNS trazer para as amizades. Uma opção aqui seria revisar ou recontextualizar a tipologia das comunidades pessoais trazida por Pahl e Spencer (2004:210) à luz dos SNS. Isso nos habilitará a desenvolver ainda mais os entendimentos sobre como “mudanças no sentido e função da amizade ao longo da vida” (Pahl, 2000: 97) e como “somos socialmente e culturalmente determinados por nossos amigos” (Pahl, 2000: 172). Pahl concluiu que a amizade é particularmente importante nos estágios iniciais da vida, devemos considerar isso como uma parte da modelagem das noções de amizade, não pensar nos entendimentos sobre amizade como sendo historicamente fixos ou estáveis. Resumindo, é possível que os SNS, conforme eles se tornam difundidos, podem bem exercer uma influência no que a amizade significa, ou como é compreendida, e, por fim, como ela é vivida.

 

A forma com que as autoras tratam a amizade se ajusta à abordagem geral adotada em seu artigo. Elas se referem, por exemplo, aos SNS como reflexo das “estruturas sociais não-mediadas” (boyd e Ellison, 2007: 9). A questão aqui poderia ser se podemos realmente imaginar uma “estrutura social” ou uma “situação” que não seja mediada. Na verdade, pensamos que o artigo de boyd e Ellison e suas conclusões são definidas por uma determinação em pensar nas relações sociais online e offline como sendo entrelaçadas mas separadas, um processo que requer que existem aspectos da vida que acontecem sem mediação. Isto, eu sugiro, direciona este e o trabalho futuro que elas apontam em uma direção particular. Isso representa um conjunto particular de hipóteses que possivelmente necessitam ser questionadas, particularmente à luz de como os SNS operam no cotidiano.

 

Separar o online do offline, mesmo se pensarmos nesses espaços como tornados irmãos (boyd e Ellison, 2007: 13), parece nos distanciar da compreensão dessas tecnologias como comuns como parte integrante e definidora de como as pessoas vivem, especialmente se abrirmos esse contexto para incluir não só os aplicações web com conteúdo gerado pelo usuário mas também celulares, PDA’s, Ipods, Iphones, laptops, RFID, MSN, câmeras digitais, wi-fi, smart dust, entre uma lista de outros aparelhos (Hayles, 2006; Beer, 2007; Crang & Graham, 2007). Essas tecnologias móveis, locativas e integradas levam para uma forma de vida crescentemente mediada, com pouco senão nenhum espaço fora dela. A afirmação de Lash, agora amplamente citada, é que “é impossível escapar da ordem da informação”, e como tal ela “não nos dá mais nenhum espaço fora dela para nos situarmos” (Lash, 2002: xii). No artigo, aqui está a “remediação” (Graham, 2004a) ou “miditização” (Lash, 2007a) da vida cotidiana. Como coloca Nigel Thrift, “o software veio a intervir em praticamente todos os aspectos da vida cotidiana e começou a desaparecer de seu cenário conhecido” (Thrift, 2005: 152). Está aqui, então, uma visão alternativa em que virtualmente todos, se não todos, os aspectos de nossas vidas são mediadas por softwares, freqüentemente quando e onde não estamos cientes disso.

 

É difícil pensar então em estruturas sociais ou espaços não-mediados pelo próprio motivo de que essas aplicações como os SNS estão se tornando populares – tanto se tornando parte da vida cotidiana como sendo divulgadas entre os usuários para que estes também as consumam. É difícil pensar numa vida offline, particularmente pelo que parece ser a juventude engajada e ligada (recconheço aqui que nem todos vivem dessa forma e que existem, evidentemente, retroculturas e resistências). O ponto é que onde essas tecnologias são tão banais e integradas em como vivemos, por que tentar entendê-las separando-as de nossas rotinas, de como vivemos, de como nos ligamos às pessoas e formamos relacionamentos e assim por diante. Estou certo de que esse não é o objetivo de boyd e Ellison, mas a preocupação geral com a vida online e offline pressiona a análise, e, mais importante do que isso, molda o desenvolvimento das áreas que estão nascendo no estudo dos SNS nessa direção. Há uma possibilidade que pode vir a ignorar alguns dos aspectos cruciais dos SNS preocupando-se com seu potencial já estabelecido e percebido de ser uma parte trivial de nossas vidas e nossa comunicação do dia-a-dia. Imaginar aspectos da vida dos usuários de SNS fora dos SNS, para dar a possibilidade de comparação, não é o único caminho a seguir. Sem querer sor baudrillardiano, nós talvez até queiramos pensar se existe algo como online e offline no contexto dos SNS. Talvez uma das coisas que os SNS revelam, na forma com que eles estão integrados às formas comuns com que as pessoas vivem e comunicam aspects banais de suas vidas com outros usuários (através de fotos, status, visualizações, atividades e assim por diante), seja que devemos considerar outros tipos de estruturas teóricas e as premissas básicas que as corroboram.

 

O futuro revisitado

 

Finalmente, isso nos leva a uma importante questão sobre o que está faltando e para onde devemos ir no momento seguinte. As autoras proporcionam uma visão útil e reveladora dos trabalhos que já foram publicados até agora ou que serão publicados nos próximos meses. Para concluir eu gostaria de aproveitar este artigo, em conjunto com as breves indicações de boyd e Ellison em relação às pesquisas futuras, como um ponto de partida para fazer duas coisas: a primeira é sugerir o que poderia estar faltando no corpo de trabalho já existente3, e a segunda é usar isso para sugerir alguns caminhos alternativos aos imaginados por boyd e Ellison.

 

Boyd e Ellison sugerem que até agora nós temos “uma compreensão limitada sobre quem está e quem não está usando estes sites, por que e com quais propoóstiso” (boyd e Ellison, 2007:14). Claro, isso é verdade, temos um entendimento limitado disso. Essa falta de conhecimento é interessante, dado que os SNS podem ser entendidos como vastos arquivos de informações sobre seus usuários, acumulados à medida que eles criam conteúdos, o que responde com exatidão essas questões (Gane & Beer, 2008). Se assim o desejarmos, e tivermos tempo suficiente, poderemos mergulhar nesses arquivos de acordo com nossa vontade para poder responder a essas questões4. Na realidade, freqüentemente vemos revelada nas atividades dos usuários de SNS uma espécie de “tendência sociológica” (Beer & Burrows, 2007) ou uma “nova cultura de pesquisa de público” (Hardey & Burrows, 2008) conforme eles se engajam num tipo de “sociologia vernacular” (Beer & Burrows, 2007) à medida que pesquisam, classificam e descobrem sobre os outros (e seus artefatos culturais). Assim como os atos cotidianos de procurar por outros usuários de SNS, usuários comuns estão também pesquisando os outros usando, eles mesmos, essas tencologias – e até pesquisando detalhes particulares do uso que os outros fazem dos SNS, em alguns casos. Para ilustrar isso podemos visitar mashups de software gerados por usuários que visuzlizam a geografia dos conteúdos gerados pelos usuários, como posts no Twitter através do http://www.twittervision.com ou as edições e adições de conteúdo feitas na Wikipédia em http://www.lkozma.net/wpv/index.html. Nesse sentido, como apontam Hardey & Burrows (2008), já temos usuários comuns de SNS respondendo às questões que boyd e Ellison destacam5 (ver também Beer & Burrows, 2007). Nós apenas precisamos nos juntar a eles. Poderemos então continuar a encontrar respostas para essas questões aprendendo não só sobre os usuários de SNS, mas também aprendendo sobre suas práticas e incorporando-as às nossas próprias. É provável que alguns pesquisadores, aqueles que são usuários bem-informados de SNS, já estejam fazendo isso. Para essas pessoas os SNS já são parte de suas vidas e uma parte de como eles pesquisam.

 

Me parece que as questões mais difíceis e mais negligenciadas sobre os SNS e outros fenômenos semelhantes da Web2.0 dizem respeito ao “cicuito cultural do capitalismo” (Thrift, 2005) que os reafirma numa era do que Thrift (2005) chamou de “capitalismo do conhecimento” (ver também Beer, 2006; Beer & Burrows, 2007). É nesse ponto que os “feedback loops” estabelecem que informam o capitalismo ao utlizar formas de conhecimento que evadiram em larga escala do setor de negócios. Como exemplo do uso de novas formas de conhecimento pelo capitalismo, Thrift sugere que “conhecimentos que são transmitidas atraves de boatos e amenidades que com freqüência se provam surpreendentemente importantes são capazes de serem capturadas e transformadas em oportunidades de lucro” (Thrift, 2005: 6). Se considerarmos somente esse exemplo já podemos imaginar o quão valioso o conteúdo dos SNS pode se tornar num contexto de capitalismo de conhecimento, especialmente porque os SNS são sem sombra de dúvida o espaço para engajar-se em grandes quantidades de fofocas e conversas sobre amenidades. E isso não é de forma alguma o fim da lista quando se trata de fontes de informações valiosas que são facilmente acessadas através dos SNS e seus bancos de dados. Podemos ver aqui como as informações nos SNS de livre acesso podem ter valor em si mesmas, ou como Bruce Sterling colocou, “meus padrões de consumo valem tanto que eles valem como garantia de meus atos de consumo” (Sterling, 2005: 79). As informações que os SNS guardam têm imenso valor no contexto do capitalismo de conhecimento, não precisamos ver além da avaliação dos sites para saber isso.

 

Nós podemos, e provavelmente devemos, pensar nos SNS nesse contexto. Os SNS são espaços comerciais, mesmo aqueles cujo acesso é gratuito – na realidade, é quando os sites são gratuitos que precisamos lembrar disso com mais freqüência6. Isso é ilustrado pelos recentes desenvolvimentos no Facebook, avaliado em US$15 bilhões, em que o modelo de administração está sendo reconfigurado para obter mais lucro de suas redes sociais já estabelecidas com o desenvolvimento de “anúncios sociais” (van Duyn, 2007; Keen, 2007b). Esses anúncios sociais serão guiados e dirigidos pelas informações sobre as pessoas e as conexões que elas fazem com marcas e produtos – criando uma divulgação automática através de feeds de notícias. Ao focar somente no usuário, que é o que o final da seção de boyd e Ellison sugere, nós estamos ignorando as infraestruturas concretas e de software, as organizações capitalistas, o marketing e a retórica dos anúncios, a construção desses fenômenos em várias agendas retóricas, o papel dos designers, metadados e algoritmos, o papel, acesso e conduta de terceiros usando SNS, entre outras coisas. Scott Lash (2006 &2007; Lash & Lury, 2007), por exemplo, nos convidou para responder a essas lacunas através de um engajamento com designers de software e aqueles consultores de marcas e algoritmos de diagnóstico. Ou, como Katherine Hayles coloca, “a informação obtém sua eficácia das infraestruturas materiais que ela parece esconder”, entender isso “deveria ser objeto de questionamento, não uma pressuposição que o questionamento aceita como verdadeira” (Hayles, 1999: 28).

 

Então essas questões sobre usuários e o que eles estão fazendo são, evidentemente, de real significância, mas não deveríamos ignorar que existem outras coisas acontecendo dentro e ao redor dos SNS – ou mesmo no acesso e disponibilização dos SNS como vemos no lançamento de tecnologias como iPod Touch e iPhone e conforme começamos a pensar nos SNS como geograficamente localizado no contexto do “urbanismo de estilhaços”, da “infraestrutura urbana do capitalismo” e das “mobilidades espaço-temporais do capitalismo” (Graham & Marvin, 2001: 190-191)7. É importante então que não perpetuemos nenhuma “amnésia sobre o funcionamento do capitalismo” (Burrows, 2005: 464) em nossa análise dos SNS – estimulados pela natureza desses sites gratuitos e de conteúdo gerado pelo usuário. Me parece, ao refletir sobre a história até agora que boyd e Ellison apresentaram , que esse é um perigo real. O capitalismo está lá, presente, particularmente nos domínios da história, mas está em risco de surgir como uma caixa preta na compreensão dos SNS. É necessário então que, mesmo quando estivermos atraídos pela forma com que os sites de redes sociais (de sociabilização) se organizam, não cultivemos um “contexto em que o funcionamento do capitalismo foi ocultado, como uma espécie de dado analítico com nenhum ou pouco valor de explicação sociológica” (Burrows, 2005: 466). Nesse momento podemos ver uma direção emergindo para os estudos dos SNS em que o capitalismo se torna esse dado analítico, presente em parte das descrições, mas permanecendo ausente em grande parte, especialmente nas análises.

 

Podemos ver, pelo tipo de questões de pesquisa focadas no usuários sugeridas por boyd e Ellison, por exemplo, que poderíamos facilmente cair nessa armadilha de amnésia sociológica se não considerássemos algumas dessas outras estruturas e questões urgentes sobre os SNS e os circuitos culturais do capitalismo. Parece que o funcionamento subjacente do capitalismo nos SNS, particularmente no “capitalismo do conhecimento” (Thrift, 2005) em que as informações a nosso respeito são rotineiramente coletadas e utilizadas para informar, é uma das principais questões por responder. O trabalho de George Ritzer (2007) sobre o “prosumer”i pode ser um exemplo de trabalho que tenta trazer o capitalismo para a superfície em relação aos SNS, particularmente no que diz respeito à natureza mutável das relações entre consumo e produção que os SNS permitem. Na realidade, no interior dessas questões sobre o capitalismo será necessário refletir sobre uma conceitualização do consumo em que veremos os usuários tornando-se uma parte ativa e imanente na criação ou produção de conteúdo que eles ou outros usuários estão consumindo.

 

Com esse ensaio em mente, e para retornar novamente a Thrift, os SNS podem ser vistos ao captar o cotidiano da “economia do conhecimento” (Thrift, 2005: 3) à medida que as pessoas trocam informações, artefatos culturais, detalhes pessoais, links para produtos e mercadorias, contatos, amigos e detalhes sobre eventos e reuniões. Na realidade, as atividades e interações do MySpace e outros SNS estão em concordância com a observação de Thrift de que:

 

“através dos auspícios da Internet e das tecnologias wireless, consumidores e produtores agora crescentemente interagem em conjunto para produzir mercadorias, e, crescentemente, mercadorias se tornam objetos que estão continuamente sendo desenvolvidos (como é o caso, por exemplo, de várias formas de software)... mais e mais os objetos dos consumidores estão se tornando parte de uma superfície animada que é capaz de conduzie “pensamento”; pensamento é crescentemente embalado nas coisas.”

(Thrift, 2005: 7)

 

As informações produzidas através de engajamentos rotineiros com os SNS são passíveis de utilização para informação das empresas, seja ao comprarmos num supermercado, seja ao comprarmos um livro online – com a informação sendo utilizada para prever coisas a nosso respeito, para nos descobrir através de recomendações, ou mesmo para nos discriminar enquanto consumidores (ver Turow, 2006). É nesse contexto de capitalismo do conhecimento que nós deveríamos estar imaginando os SNS agora. Os SNS, alinhados com “novas formas de mercadoria e relações de mercadoria” descritas por Thrift, ilustram “mudanças na forma das mercadorias [que] apontam para um papel crescentemente ativo que freqüentemente espera-se que o consumidor assuma” (Thrit, 2005: 7). Em consonância com a visão de Thrift dos consumidores ativos – informar o capitalismo e em retorno ser informado pelos poderes de previsão que este capitalismo informado desenvolve – nós podemos ver nos SNS os consumidores produzindo as mercadorias que atraem as pessoas – freqüentemente sob a forma de perfil8. Podemos pensar neles como perfis enquanto mercadorias tanto produzidas como consumidas por aqueles engajados com os SNS – em outros sites como o Youtube, pode ser que o vídeo seja o atrativo, com o perfil operando por trás dele. Podemos ver aqui, se imaginarmos os SNS nesse contexto, o papel ativo do consumidor gerando informação e oferecendo informação sobre si mesmo e sua vida que alimenta esse “capitalismo mais passível de conhecimento” (Thrift, 2005:21).

 

Os SNS são então uma espécie de conjunto de dados transicionais enriquecidos pelos tipos de aspectos de vida cotidiana que eles comunicam, antes mundanos, privados e difíceis de acessar. Trabalhar na busca de uma compreensão dos SNS no contexto do capitalismo de conhecimento pode ser uma maneira de desenvolver uma agenda para estudar os SNS que provenha visões que podem complementar e guiar a agenda empírica. Mas não vamos obter um retrato completo o suficiente se não prestarmos alguma atenção para os detalhes das infraestruturas, códigos e organizações que estão operando aqui ou que se alimentam dos SNS (assim como outras fontes de dados transicionais gerados pelos usuários). Estou sendo especulativo aqui, mas imaginar que os SNS como mercadorias ou coleções de mercadorias estão sendo utilizados como fonte de dados para informar as organizações sobre suas populações (Savage & Burrows, 2007) não requer um esforço muito grande de imaginação. A riqueza e o escopo de informações nos SNS podem habilitar atos ainda mais sofisticados de “discriminação de marketing” (Turow, 2006) e diferenciação enter os consumidores, e, como Joseph Turow (2006: 187) sugeriu, é possível mesmo que pessoas usando SNS e sites semelhantes com uso de perfis possam se adaptar bem a isso e desenhar seus sites de forma que sejam tratados de forma favorável nas tentativas do capitalismo do conhecimento de atacar, favorecer e informar com suplementos tipos particulares de pessoas. Vemos novamente aqui, se ainda estivermos em dúvida, que as formas de classificação e “distribuição” tornadas possíveis pelos sistemas de informação têm e continuarão tendo profundas conseqüências (Bowker & Star, 1999; Graham, 2004b; Burrows & Ellison, 2005).

 

Como pensamento final, meu sentimento é que o que é mais urgente é uma crítica robusta e bem sustentada que enfrente um conjunto de visões estabelecidas e dominantes que envolva e facilite um movimento em direção ao mainstream dos SNS (e Web 2.0 se você quiser). É isso que está faltando, uma agenda mais política que seja mais aberta aos trabalhos sobre capitalismo. Nesse momento somos informados amplamente por contas desses espaços em que podemos nos conectar, espaços que hospedam conexões sociais novas ou renovadas, espaços que são democráticos e mutualmente possuídos – e a direção que boyd e Ellison indicam e seu foco unicamente no usuário tende a perpetuar essa agenda mesmo que não intencionalmente; pelo menos, na minha leitura, esse é o risco. Minha sensação é a de que as visões dominantes da democratização da web rumo a um modelo de “inteligência coletiva” ou “colaborativa” (O’Reilly, 2005; Bryant, 2007) e “culturas participativas” (Jenkins, 2006; Unicom, 2007) precisam ser questionadas com algum rigor. Para deixar claro, não estou sugerindo que recorramos ao tipo de pessimismo cultural encontrado na agora famosa polêmica de Andrew Keen (2007a) sobre o “culto do amador”, que tende a levar ao extremo. Não estou dizendo que boyd e Ellisonseguem a linha de marketing, mas que a direção a que elas apontam nos deixa abertos à perda de algumas oportunidades chave para um engajamento crítico com isso. Não é que exista um problema particular com a direção que elas sugerem, é claramente muito importante entender que as questões que elas destacam, mas o que deve ser dito é que existem outras questões, particularmente sobre os trabalhos acerca do capitalismo, que é importante que não ignoremos. Ao mesmo tempo existe uma necessidade urgente de prover um desafio forte e criterioso ao crescimento de uma “retórica da democratização” que emergiu e foi introduzida com a Web 2.0 (Beer & Burrows, 2007). É para esse desafio que eu acredito que devemos direcionar nossa atenção, e, assim esperamos, é esse desafio que poderá bem vir a informar o tipo de agendas empíricas com que deveremos inevitavelmente nos engajar. Então, quando perguntamos sobre quem está usando os SNS e com que propósito, nós deveríamos pensar não somente sobre aqueles com perfis, nós deveríamos também estar pensando sobre os interesses capitalistas, sobre terceiros usando os dados, do poder organizador dos algoritmos (Lash, 2007a), sobre as questões de bem-estar da vida privada se tornar pública, sobre os motivos e agendas daqueles que constroem essas tecnologias de acordo com a retórica comum da época, e, finalmente, sobre a maneira com que as informações são retiradas do sistema para informar sobre os usuários, ou, resumindo, como os SNS podem ser entendidos como arquivos da vida cotidiana que representam uma fonte vasta e rica de dados transicionais acerca de uma vasta população de usuários.

 

Em resumo, quando se trata de compreender os SNS, suas conexões, suas populações, sua integração a como as pessoas vivem, o que eles nos contam sobre as pessoas, como são usados, seus padrões de consumo, sua significância para as preferências culturais, e daí por diante, os usuários de SNS e o capitalismo do conhecimento possivelmente estão bem mais adiantados que nós. Para guiar nossa pesquisa devemos nos inspirar na abordagem deles – com os usuários vivendo “fora” de suas vidas em meio a fluxos de informações por um lado, e com os negócios se informando através da busca, coleta e análise rotineira dos dados por outro – mas devemos também ter como objetivo complementar essas metodologias sugestivas refletindo sobre a formulação de algumas dimensões particulares, distintivas e até mais radicais a se alcançar. Temos a oportunidade de nesse estágio inicial do desenvolvimento dos SNS e da pesquisa sobre os SNS para revisitar nossa história até agora e para imaginar tal agenda.

 

Notas:

1 NA. Podemos também achar que precisamos nos engajar em detalhes mais importantes com a história das abordagens da rede. Como Knox et al. notaram, e isso não é uma crítica direta a boyd e Elison mas um ponto a se considerar, há “pouquíssima consciência da longa das abordagens da rede e pouco sentido em aprender lições sobre as dificuldades de pensar sobre as redes que surgiram nesses debates mais antigos” (Knox et AL., 2006: 114). É bem possível que valha a pena examinar isso se queremos tornar as redes o foco do trabalho nessa área.

 

2 Para saber mais sobre os processos de informações recursivas, ver Parker, Uprichard & Burrows (2007).

 

3 Estou certo de que as pessoas vão discordar de mim sobre o que está faltando, estou certo de que ignorei trabalhos importantes. Peço desculpas se esse é o caso, espero ser provocativo aqui, e espero que o leitor que se frustrar vá continuar o debate e corrigir as informações erradas. Também é importante notar isso porque este é um campo de pesquisa em seus estágios iniciais de desnolvimento em que muitas coisas estão faltando, e não comento todas essas ausências. Em vez disso, foco nas ausências que eu acredito serem mais urgentes.

 

4 Podemos sempre complementar tal pesquisa com entrevistas adicionais, etnografias e similares para tentar preencher algumas das lacunas nas informações.

 

5 Na verdade essa sociologia vernacular é parte da resposta ao que as pessoas estão fazendo nos SNS já que é uma forma de compreender para que as pessoas os usam.

 

6 Em relação ao código aberto, um dos precursores e motores da Web 2.0, Hayles aponta para a natureza das relações entre capitalismo e participação do usuário: “O movimento do código aberto testemunha eloqüentemente à centraldade das dinâmicas capitalistas no mercado de códigos, mesmo que trabalhe para criar um espaço intelectual comum que opere de acordo com as dinâmicas muito diferentes de uma economia da doação. (N. da T.: economia da doação ou gift economy, no original, é um sistema econômico em que o acesso a bens e serviços não se dá através de qualquer compromisso estabelecido com a compensação material desse acesso. É freqüentemente observado em culturas que defendam o valor da generosidade e reciprocidade.)

 

7 É bem possível que tenhamos que interagir aqui com a literatura dos estudos urbanos para entender as geografias dos acessos dos SNS à medida que tecnologias móveis continuam a implicar no uso de tas sites.

 

iN. da T.: palavra sem equivalente em português, cuja origem está nas palavras “professional” e “consumer”. O “prosumer” é aquele que se dedica a pesquisar antes de adquirir produtos para certificar-se de sua qualidade.

 

8 1.Fazendo um apontamento semelhante sobre a natureza das mercadorias contemporâneas, Scott Lash defendeu que “O que era um meio – e isso também é verdadeiro para o setor de mídia – se tornou uma coisa, um produto” (Lash, 2007b: 18) e que “o novo capitalismo é baseado em setores, não de bens nem mesmo de serviços, mas de mídia” (Lash, 2007b).

 

Tradução: Carolina Maia de Aguiar

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